Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mergulhando em música

Saudades, tenho eu, do tempo que pra sorrir não se precisava de um motivo. E que para brigar só precisava de um espirro. Era mais simples, sabe? Preocupava-se menos, vivia-se mais. Melhor, não sei; mas que mais se vivia, isso eu posso garantir. Se toda experiência que eu tivesse a chance de passar, pudesse transformá-la em melodia, com certeza, seria uma fabulosa ária. Cheia de momentos calmos, e intensos acordes, mas todos eles fortes, únicos, meus.  Ecoariam por onde quer que eu passasse, levadas pelo vento, dizendo a todos quem eu sou e o que me faz ser quem sou, sem eu precisar, ao menos encará-las. Surgiriam grandes vivas!, ou ares de espanto, até seria vaiada, mas ao findar a execução de minha melodiosa vida, todos estariam ali, diante de mim, aplaudindo de pé pelo simples motivo de que eu tive coragem de ser. Agradeceria, em silêncio, o reconhecimento de tanto trabalho para compor e recompor minha melodia e letra para que eu pudesse, por fim, ter a minha tão sonhada m...

Enquanto eu te fazia livro

Sabe... era mais fácil quando não se gostava, nem se apegava . Seria perfeito, então. Eu e você, desconhecidos, apenas. Cruzando ruas e vidas tranquilos, sem olhares, afagos, abraços, sorrisos. Mas eu te vi. E vi em você a chance de me fazer sentir leve, protegida, amada. Meu porto, seus braços. Minha calma, seu sorriso. Nem palavras eram necessárias quando a gente ficava, assim, junto. Em mim, tinha certeza que nossos corações e respiração possuíam a mesma cadência. Um dia, sorrindo por supor que te veria e te amaria como todas as outras vezes que te vi passar, vejo-te, junto, lindamente acariciando os louros fios de uma outra, que não eu. Decepção? Ciúmes? Não. Invadiu-me, então, um desprezo e um choro incontido, um grito abafado. Levei minhas mãos ao rosto, respirei fundo, e enxuguei a lágrima que começava a rolar. Acenei pra você . Sorrindo, você me abraçou, como sempre, e beijou-me a testa. Soltou-me e tomando a mão da moça, você me apresenta àquela que você chama metade sua. ...

.OUSE.

SURPREENDA

Não. Não mesmo. Por que? Pra que? Pelo quê? Hein? Hã? Por você, ou pelos outros? SURPREENDER.  Se você não viver sempre diante dos holofotes você se torna menos importante e interessante para as outras pessoas. Então, vale de tudo para permanecer lá, onde você está. Ser você, não sendo você ; falar o que viu num programa qualquer jurando que é sua opinião; vestir-se do jeito que, você tem certeza, que vão te copiar porque é original e traduz toda a sua beleza e blá blá blá. E o que você ganha? "Fãs" agoniantes e sedentos pela nova frase de efeito extraordinária que você dirá sobre o novo e revolucionário modo de sentir o vento em seus cabelos. Isso é patético. Mas mal necessário nessa sociedade superficial. O novo é velho a partir do momento em que ele surge . Tudo é muito rápido. Já perdeu-se o sentido.  Então, surpreenda-me com o velho. Os bons modos e costumes, sabe? Aqueles que as pessoas andam deixando de lado porque você não é tido muito como legal e que sabe...

. SILENCIAR .

No dicionário, silenciar, significa, "ficar em silêncio; calar-se.  Fazer calar." Pra mim, é BARULHO. Daqueles ensurdecedores, perturbadores, inquietantes. Barulho dos grandes.  Aquele que te traz sofrimento, angústia.  Uma vez, numa tarde agradável de outono, Joshua passeava pelo bosque. Cercado por árvores, flores, pássaros, borboletas... respirava cada partícula de ar como se fosse sua última respiração, e tentava, com sem muito esforço, guardar em sua mente, cada pequena imagem que possuía vida diante de si. Depara-se, então, com um espaço . Escuro, e um pouco fétido. Sem nenhum aviso, recebe a notícia de que algo havia de errado. "- O quê?", pensou Joshua, mas do lado de lá, só havia o silêncio. Aperta os olhos e aguça os ouvidos para tentar descobrir de onde tinha vindo a voz, gritou, perguntando com quem falava, mas todas as suas tentativas foram inúteis. Já cansado, Joshua, percebe que havia anoitecido. Um vento frio percorre sua espinha. Ele treme....

.P R E C I S O.

"Darei a vocês um coração novo e porei um espírito novo em vocês; tirarei de vocês o coração de pedra e lhes darei um coração de carne. Porei o meu Espírito em vocês e os levarei a agirem segundo os meus decretos e a obedecerem fielmente as minhas leis." (Livro de Ezequiel, capítulo 36, versos 26 e 27)

.C O N F I A R.

Jogar-se de olhos fechados. Dar o próximo passo sem olhar para trás. Lançar-se num precipício escuro e profundo, sem saber ao certo se lá embaixo haverá salvação em forma de um belo tapete de flores e grama. Confiar. É estar aberto ao desconhecido com uma grande dose de confiança te protegendo. Sabe aquela brincadeira, onde existem duas pessoas e uma delas está de costas e se joga sem olhar para trás, na certeza que a outra pessoa estaria de braços estendidos, pronta para segurá-la? Isso é confiança. Pensa agora em você. Pensa agora em você dentro dessa brincadeira/metáfora. O que te faz jogar-se? O que te confirma que a pessoa que está ali, atrás de você, irá te segurar? O que te leva a pensar que os que estão ao seu redor são os que formam teu alicerce, fortaleza e fonte de segurança, confiança? Confiança é muito mais que saber tanto do outro, e esse outro saber tanto de você, que te dá subsídios para que você se entregue sem reservas. Confiar tem um laço tênue de dependência...