Pular para o conteúdo principal

.C O N F I A R.

Jogar-se de olhos fechados. Dar o próximo passo sem olhar para trás. Lançar-se num precipício escuro e profundo, sem saber ao certo se lá embaixo haverá salvação em forma de um belo tapete de flores e grama.
Confiar. É estar aberto ao desconhecido com uma grande dose de confiança te protegendo. Sabe aquela brincadeira, onde existem duas pessoas e uma delas está de costas e se joga sem olhar para trás, na certeza que a outra pessoa estaria de braços estendidos, pronta para segurá-la? Isso é confiança. Pensa agora em você. Pensa agora em você dentro dessa brincadeira/metáfora. O que te faz jogar-se? O que te confirma que a pessoa que está ali, atrás de você, irá te segurar? O que te leva a pensar que os que estão ao seu redor são os que formam teu alicerce, fortaleza e fonte de segurança, confiança? Confiança é muito mais que saber tanto do outro, e esse outro saber tanto de você, que te dá subsídios para que você se entregue sem reservas. Confiar tem um laço tênue de dependência com o amor. (E, que fique claro, não me refiro aqui a confiança que muitos tem em empresas, patrões e empregados, seguradoras, bancos etc., etc. Esse tipo de "confiança" eu chamo de barganha.) Falo aqui da confiança construída, adquirida com esforço e trabalhada, lapidada e mantida dia após dia por pais e filhos, esposo e esposa, irmão com irmão, amigo com amigo etc., e mais etc. Aquela confiança que você guarda como se fosse seu maior tesouro, ao mesmo tempo que parece que no próximo instante você irá perdê-la por completo. Confiança é faca de dois gumes. Ou se dá pra receber, ou não se recebe pra dar. Desejo ridículo, mas vale a pena apostar. Confie.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O medo sentou no meu divã

17 anos. Pai, mãe, irmãos, amigos. O desejo da independência muito forte. Morar longe dos pais, fazer sua graduação, conseguir um emprego e poder viver sua vida do modo que desejar. Sonhos de alguém que deseja mais para vida porque a força da jovialidade faz isso. Mas esse alguém entra no meu consultório, fecha a porta atrás de si, suspira e me sorri como que por educação. Pergunto como está e num tom de voz baixo e pouco confiante diz que está tudo bem. Não acredito muito em sua resposta e passo a investigar mais a fundo o que lhe acontece. Num tom como de quem conta a um diário, narra que naquela semana não havia tido brigas em casa. Ela não havia sido xingada em nenhum momento. Para este alguém, sentado diante de mim a mais de um ano, era uma vitória e tanto já que costumeiramente o clima familiar não é um dos melhores. Porém havia uma inquietação na alma daquela jovem que a fazia balançar a perna, mexer-se no sofá como se estivesse sempre desconfortável e tomar uma almofada, abraç...

Ensaios

Inícios, meios , fins . Ensaios apenas. Pergunto-me diversas vezes, se tudo, todas as coisas, his tórias, es tórias, músicas, destinos, caminhos, tem que haver o início, o meio e o fim. E se forem só ensaios de coisas, histórias, estórias, caminhos, destinos ? Precisa, exige-se o traçar de praxe? Ensaios... nele os erros são permitidos . Mas o interessante é que esses mesmos erros não são tolerados por muito tempo. Mas é apenas um ensaio! Existe pessoas que vivem uma vida de ensaios. Para tudo há uma desculpa, aparentemente lógica, que tem que ser aceita pelos que não admitem o erro. Dos outros, claro. Porque os seus próprios podem e devem ser aceitos. "Era um ensaio! Da próxima eu acerto." Pode? Sei não... Meu texto, por exemplo, tem início, meio e fim? Ou só são ideias postas de maneira aleatória, pensamentos vagos, sem lógica? Isso é pessoal. Então tenho obrigação de seguir regras? E minha vida? Teve início sim. Nasci, dependi muito dos adultos para sobreviver, fui...

A garota do ônibus

Eu estava sentado no ponto do ônibus, quando uma garota de olhos pretos, com o cabelo preso como um rabo de cavalo, blusa branca e calça jeans,  sorriu pra mim e sentou do meu lado. Perguntou se aquele era o ponto que dava para o lugar que ela desejava ir. Disse que sim, hipnotizado pela forma com que ela insistia em arrumar a franja apesar do vento. Depois disso, silêncio. Minha cabeça estava vazia. Não conseguia pensar num assunto interessante para “puxar” conversa. Lembrei de um vídeo no youtube hilário. Respirei e abri minha boca. Nenhum som saiu. Levei a mão rapidamente a boca e fingi que bocejava, enquanto ficava enrubescido pela falta de voz. O que diabos estava acontecendo? Olhei de relance e a vi, com fones de ouvido, cantarolando uma música e meio que dançando com pés ainda que sentada. Tentei descobrir a música mas sem sucesso. Mais silêncio. Quando estou disposto a desistir, entrego meu olhar para o fim da rua e acabo avistando o ônibus. Aperto meus olhos para enxe...