Pular para o conteúdo principal

Passou

Tem gente que tem saudades da infância. Outras sentem falta da adolescência. Alguns lembram com saudosismo da juventude. Eu sinto falta do segundo que acaba de passar. Sabe como é? Como que se eu perdesse cada chance com o segundo que passa. Como esse instante que acabou de passar. Viu? De novo.
Isso me irrita demais. Quando decido aproveitar o próximo segundo... pá! Perco ele de novo. É muito rápido. Volto a estaca zero. Retorno aos planos e reorganizo o passo a passo. Respiro fundo e miro no próximo instante.

Perdi mais uma vez.

Aprendo cada dia, que cada instante que se vai trás outro que fica. Por milésimos de segundo, talvez, mas vem e fica. E o que faço com esse momento é determinante para saber se o lamentarei ou vibrarei ele no segundo que se seguir.

Não digo que esse é o jeito certo de viver a vida, mas te digo, com certeza, que é um caminho possível de ser trilhado. Nem só de sonhos a gente vive e sobrevive. O agora, esse momento, nesse instante, vivido, sentido, experenciado, faz do futuro que quero e o futuro que faço possíveis.

De quebra, e em troca, o mundo nos sorri e se revela.
Todo dia, é uma pequena vida. O tempo passa rápido. Mas posso fazê-lo correr mais lento se saborear cada momento.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O medo sentou no meu divã

17 anos. Pai, mãe, irmãos, amigos. O desejo da independência muito forte. Morar longe dos pais, fazer sua graduação, conseguir um emprego e poder viver sua vida do modo que desejar. Sonhos de alguém que deseja mais para vida porque a força da jovialidade faz isso. Mas esse alguém entra no meu consultório, fecha a porta atrás de si, suspira e me sorri como que por educação. Pergunto como está e num tom de voz baixo e pouco confiante diz que está tudo bem. Não acredito muito em sua resposta e passo a investigar mais a fundo o que lhe acontece. Num tom como de quem conta a um diário, narra que naquela semana não havia tido brigas em casa. Ela não havia sido xingada em nenhum momento. Para este alguém, sentado diante de mim a mais de um ano, era uma vitória e tanto já que costumeiramente o clima familiar não é um dos melhores. Porém havia uma inquietação na alma daquela jovem que a fazia balançar a perna, mexer-se no sofá como se estivesse sempre desconfortável e tomar uma almofada, abraç...

Ensaios

Inícios, meios , fins . Ensaios apenas. Pergunto-me diversas vezes, se tudo, todas as coisas, his tórias, es tórias, músicas, destinos, caminhos, tem que haver o início, o meio e o fim. E se forem só ensaios de coisas, histórias, estórias, caminhos, destinos ? Precisa, exige-se o traçar de praxe? Ensaios... nele os erros são permitidos . Mas o interessante é que esses mesmos erros não são tolerados por muito tempo. Mas é apenas um ensaio! Existe pessoas que vivem uma vida de ensaios. Para tudo há uma desculpa, aparentemente lógica, que tem que ser aceita pelos que não admitem o erro. Dos outros, claro. Porque os seus próprios podem e devem ser aceitos. "Era um ensaio! Da próxima eu acerto." Pode? Sei não... Meu texto, por exemplo, tem início, meio e fim? Ou só são ideias postas de maneira aleatória, pensamentos vagos, sem lógica? Isso é pessoal. Então tenho obrigação de seguir regras? E minha vida? Teve início sim. Nasci, dependi muito dos adultos para sobreviver, fui...

Me dei conta

Muito me perguntava o que seria ser mulher. Desde a infância me diziam “sente-se como uma mocinha!”, “olha que brinquedinho lindo: um conjuntinho de panelas pra fazer comidinhas deliciosas!”, “menina brinca de boneca viu?”, “menina não faz xixi na rua. Segura um pouquinho que a gente já está chegando em casa”. Os anos passaram e me vi adolescente e as orientações dos mais velhos não paravam. “Primeira menstruação? Já é uma mocinha!”, “cuidado nas pernas quando estiver de saia!”, “arrume o cabelo desse jeito que assim você vai chamar a atenção dos garotos”, “que comida deliciosa! Você que fez!? Já pode casar!”, “quem é esse rapaz? Seu namoradinho? Cuidado, não existe amizade entre homem e mulher!”. Não sei em que momento exato do percurso da vida as vozes ficaram mais altas que meus pensamentos e eu não conseguia mais, por mim mesma, saber o que é ser mulher (talvez tenha sido no dia que concordei, sem pensar, que faço parte do grupo “sexo frágil”). Quando me dei conta, estava adulta...