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Se emagrecesse, se escorresse, se, se, se... GOSTASSE.


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O medo sentou no meu divã

17 anos. Pai, mãe, irmãos, amigos. O desejo da independência muito forte. Morar longe dos pais, fazer sua graduação, conseguir um emprego e poder viver sua vida do modo que desejar. Sonhos de alguém que deseja mais para vida porque a força da jovialidade faz isso. Mas esse alguém entra no meu consultório, fecha a porta atrás de si, suspira e me sorri como que por educação. Pergunto como está e num tom de voz baixo e pouco confiante diz que está tudo bem. Não acredito muito em sua resposta e passo a investigar mais a fundo o que lhe acontece. Num tom como de quem conta a um diário, narra que naquela semana não havia tido brigas em casa. Ela não havia sido xingada em nenhum momento. Para este alguém, sentado diante de mim a mais de um ano, era uma vitória e tanto já que costumeiramente o clima familiar não é um dos melhores. Porém havia uma inquietação na alma daquela jovem que a fazia balançar a perna, mexer-se no sofá como se estivesse sempre desconfortável e tomar uma almofada, abraç...

Ensaios

Inícios, meios , fins . Ensaios apenas. Pergunto-me diversas vezes, se tudo, todas as coisas, his tórias, es tórias, músicas, destinos, caminhos, tem que haver o início, o meio e o fim. E se forem só ensaios de coisas, histórias, estórias, caminhos, destinos ? Precisa, exige-se o traçar de praxe? Ensaios... nele os erros são permitidos . Mas o interessante é que esses mesmos erros não são tolerados por muito tempo. Mas é apenas um ensaio! Existe pessoas que vivem uma vida de ensaios. Para tudo há uma desculpa, aparentemente lógica, que tem que ser aceita pelos que não admitem o erro. Dos outros, claro. Porque os seus próprios podem e devem ser aceitos. "Era um ensaio! Da próxima eu acerto." Pode? Sei não... Meu texto, por exemplo, tem início, meio e fim? Ou só são ideias postas de maneira aleatória, pensamentos vagos, sem lógica? Isso é pessoal. Então tenho obrigação de seguir regras? E minha vida? Teve início sim. Nasci, dependi muito dos adultos para sobreviver, fui...

Me dei conta

Muito me perguntava o que seria ser mulher. Desde a infância me diziam “sente-se como uma mocinha!”, “olha que brinquedinho lindo: um conjuntinho de panelas pra fazer comidinhas deliciosas!”, “menina brinca de boneca viu?”, “menina não faz xixi na rua. Segura um pouquinho que a gente já está chegando em casa”. Os anos passaram e me vi adolescente e as orientações dos mais velhos não paravam. “Primeira menstruação? Já é uma mocinha!”, “cuidado nas pernas quando estiver de saia!”, “arrume o cabelo desse jeito que assim você vai chamar a atenção dos garotos”, “que comida deliciosa! Você que fez!? Já pode casar!”, “quem é esse rapaz? Seu namoradinho? Cuidado, não existe amizade entre homem e mulher!”. Não sei em que momento exato do percurso da vida as vozes ficaram mais altas que meus pensamentos e eu não conseguia mais, por mim mesma, saber o que é ser mulher (talvez tenha sido no dia que concordei, sem pensar, que faço parte do grupo “sexo frágil”). Quando me dei conta, estava adulta...