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Como diria um alguém...

Conta a história que dom Pedro II casou-se sem conhecer a sua noiva. Tinha visto um quadro com a cara da princesa. E quando a moça chegou no porto do Rio de Janeiro - consta - que ele fez uma cara emocionada. Pela feitura da imperial donzela. Mas casou, era o destino, era a desdita.Quando aconteceu o grande boom da imigração japonesa, alguns anos depois, familiares que lá ficaram mandavam noivas para os que cá aportaram. Tudo no escuro. E de olhinhos fechados, ainda por cima.De uns tempos pra cá, o conceito da escolha foi mudando. Até ir para cama antes, valia. Ficava-se antes.Só que agora, surgiu um outro tipo de casamento. O casamento de letras. Letras e textos. O texto - finalmente, digo eu - virou casamenteiro. Apaixona-se, hoje em dia, pelo texto.Eu já me envolvi perdidamente por dois textos belíssimos. Rapazes de vírgulas acentuadas, exclamações sensuais e risos de entortar qualquer coração letrado ou iletrado. Sim, pela primeira vez nesta nossa humanidade já tão velhinha, as pessoas estão se conhecendo primeiramente pela palavra escrita. E lida, é claro.Agora, o texto pode levar ao amor. Uma espécie de amor-de-texto, amor-de-perdição.A relação, o namoro, começa ali no monitor. Você pode passar algumas horas, dias e até semanas sem saber nada da outra pessoa. Só conhece o texto dela.E é com o texto que vai fazendo o charme. E vai crescendo uma coisa dentro de você. Algo parecidíssimo com amor. Pelo texto.Se o texto for bom mesmo, se ele te encanta de fato, você vai em frente. Mesmo olhando aquela foto - que deve ter sido a melhor que ele tinha - você vai em frente.A tudo isso o bom texto supera. Como diria Shakespeare, palavras, palavras, palavras.Como diria Pelé, love, love, love.

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